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Os médicos de Paulo Gustavo esclarecem que o ator não tinha comorbidades e explicam o episódio que causou sua morte: ‘É muito raro’; assistir | CurtaPB

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O Fantástico (9) deste domingo trouxe diversas homenagens e esclareceu informações sobre a morte de Paulo Gustavo, que nos deixou na última terça-feira (4). A equipe de reportagem entrevistou os médicos que acompanharam de perto o caso do comediante e explicou quais foram as complicações que levaram à sua morte.

Paulo foi internado no dia 13 de março, no Rio de Janeiro. Nos dias anteriores, o artista já sabia de seu diagnóstico de Covid-19 e monitorava sua situação com o auxílio de um oxímetro. Ao perceber que o vírus avançava rapidamente, decidiu procurar um hospital.

No início, o ator passou por tomografias computadorizadas três vezes. Na primeira vez, 10% dos pulmões estavam afetados, na segunda, 25%, na terceira, menos de uma semana após o início dos sintomas, 75% dos pulmões já estavam afetados pelo vírus. Naquele momento, optou-se pela internação, que durou 53 dias. Segundo os médicos do ator, o chefe da terapia intensiva Fábio Miranda e o pneumologista Rafael Pottes, ele não tinha nenhuma comorbidade que pudesse complicar seu caso. Paulo Gustavo tinha asma leve, controlada há muitos anos. “Eu não tinha doença“, Disse Fábio.

Após oito dias de internação, no dia 21 de março, a artista precisou ser entubada. “Já respirava com certo cansaço, com certo esforço. Nesse momento, fizemos uma nova tomografia que mostrou praticamente 100% da área pulmonar afetada“, Relatou Miranda. Mesmo assim, o ator teve uma piora sucessiva do quadro respiratório, apresentando um pneumomediastino – quando o ar do pulmão escapa para o mediastino, onde fica o coração e outros órgãos.

Esse pneumomediastino foi aumentando, a ponto de passar a causar algum risco ao funcionamento do sistema cardiovascular.“, Explicou o chefe da UTI. Os médicos então decidiram drenar aquele ar. “Ele apresentou sinais de normalidade neurológica, de interação, e então outras complicações começaram a ocorrer“, Fábio apontou.

Entre as complicações estavam, por exemplo, hemorragia na cavidade pleural e aspergilose, doença causada por um fungo no pulmão. O mais preocupante, porém, era o aparecimento de uma fístula bronco-pleural, uma conexão anormal entre um brônquio e a pleura, uma membrana que envolve os pulmões. “Medidas corretivas foram tomadas e ele melhorou. Menos de 24 ou 48 horas depois, apareceu uma nova complicação e fomos forçados a correr para tomar alguma ação corretiva.“Lembrou-se de Miranda.

Dona Hermínia, a personagem mais famosa de Paulo Gustavo. (Foto: Globo / Victor Pollak)

Naquele momento, os médicos decidiram submeter Paulo Gustavo à terapia de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) na UTI, no dia 2 de abril. Essa técnica funciona como uma espécie de pulmão artificial, que auxilia na oxigenação do sangue. “Ele ficou mais estável com a ECMO, ficou semanas … Ele também teve duas pneumonias causadas por bactérias que foram devidamente tratadas“, Disse o chefe da UTI.

No período, porém, o ator apresentou complicações como sangramento na pleura, além da persistência da fístula. “Ele complicaria as coisas, porém nunca perdemos as esperanças, porque ele era um touro. Ele complicou e melhorou, ele conseguiu recuperar tudo, era uma força vital tão grande“Disse Susana Garcia, médica, cineasta e grande amiga de Paulo Gustavo.

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No fim de semana anterior à sua morte, o comediante teve sua sedação reduzida e até reagiu. “Talvez tenha sido seu melhor dia durante a internação“, Disse Rafael. “Costumávamos dizer ‘abra os olhos e feche duas vezes’, e ele o fez. ‘Abra sua boca, coloque sua língua para fora’. Costumávamos dizer apenas coisas positivas: ‘você está melhorando’“, Relatou Susana.

Após a evolução, ainda no domingo, a artista teve uma piora drástica. “De repente, foi como se um interruptor tivesse sido desligado. Ele ficou pálido, sua pressão arterial caiu e ele parou de interagir. Isso aconteceu três, quatro vezes na tarde de domingo“, Disse Fábio.

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Paulo Gustavo com o marido, Thales Bretas, e os filhos. (Foto: Reprodução / Instagram)

O problema que complicou o caso de Paulo Gustavo e o levou à morte foi o aparecimento de outra fístula, chamada fístula venosa brônquica, muito mais grave que as outras. Isso significa que uma comunicação anormal ocorreu entre um alvéolo e uma veia pulmonar, permitindo que o ar direto entre na corrente sanguínea. “O cérebro e o coração eram órgãos imediatamente afetados por essa quantidade de ar … Não há como corrigi-lo. Não há maneira de detectar a área certa em que está ocorrendo ou como corrigi-lo“, Explicou Miranda. “É muito raro“, Apontou Rafael.

A imagem era irreversível. A morte ocorreu às 21h12, do dia 4. “A principal mensagem que recebemos de uma foto como a sua é a agressividade da doença“, Observou o pneumologista. “As pessoas ficam na internet inventando doenças para ele. Ele estava completamente saudável e tinha o melhor tratamento. Tudo foi feito e ele morreu“, Disse o cineasta.

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